sábado, 3 de agosto de 2013

O valor da referência e a validade do discurso.

 


Toda a vez que comunicamos ideias, posturas, achismos, devemos nos certificar que os interlocutores possuam o mesmo nível de comunicação. Que possuam os mesmos valores, cultura e erudição - conjunto que chamarei aqui de bagagem racional - para que se estabeleça uma ponte entre eles. Quando isso acontece, tudo flui com mais facilidade, não se perde tempo e energia com desconfianças. A conversa acontece.
   Mas o problema é quando o background dos interlocutores são destoantes. Pois, no jogo de refutações e postulados, é preciso saber se o que é dito se sustenta por si. Isso parte de todos os lados da conversa. Mas, nesse bate-e-rebate sofista, a conversa se torna debate, e debate é disputa. Portanto, nesse pequeno texto quero revelar o que penso ser o how to não se ferrar num debate.
   Primeiramente, é preciso ressaltar as naturezas de um debate. Ao meu ver, existem duas, bem simples. A primeira seria algo que quero chamar de debate de construção. Nessa modalidade de debate, as pessoas - que não necessariamente devem possuir uma bagagem racional distintas umas das outras - argumentam visando uma resolução sobre algo ou iluminação acerca da única coisa que a maioria, ou todos, discordam entre si. A segunda modalidade de debate seria o debate de desconstrução, o que estamos mais acostumados a ver ou procurar saber. Aqui, os participantes do debate não procuram, em primeira instância, promover algo em prol do consenso ou coisa assim, mas sim impor a força de seu discurso sobre o outro. Desconstruir o que o outro tem pra falar. É o tipo que se procura ver ou saber mais, pois é "briga"!
   Existem diversas maneiras para desconstruir a argumentação dos outros: pode-se apelar para o emocional, fazendo com que a resposta à sua argumentação seja tomada por um viés que a corrompe;  pode-se também se apossar de uma oratória carismática convincente o bastante para tomar a razão para si; e pode-se simplesmente apresentar lógica argumentativa mais convincente que a contraposta. As formas para executar uma destas? As mais diversas possíveis. Entretanto, para melhor explicação da construção do debate, é possível reunir as maneiras para desconstruir a argumentação dos outros em dois grandes grupos. O primeiro grande grupo para tal é o que chamo de desconstrução por destruição. Este tipo de desconstrução se apresenta no argumento que tem o propósito de acabar com seu contra-argumento, demoli-lo. Os meios para tal são aqueles mais ofensivos, que sempre partem da negação total à validade do argumento contraposto. Reconhecê-lo como infundado, jocoso, insuficiente são exemplos de como podemos destruir. Porém, nem sempre é viável se utilizar de uma abordagem destrutiva num debate, pois é bem provável que surja uma situação desagradável decorrente disto. Como alternativa, pode-se optar por outro grande grupo que incorpora a desconstrução do debate. E este seria a desconstrução por desmontagem. Este tipo de desconstrução, por mais que pareça mais sutil, tem as mesmas chances de funcionar que a desconstrução por destruição. pode-se imaginar este debate como dois planos de construtos, um em comparação ao outro, em que seus planejadores estão com o plano adversário, a fim de corrigir o que está errado no plano do outro tanto para demonstrar a inviabilidade do construto quanto para afirmar a superioridade do seu próprio construto. Fugindo um pouco da anedota, é quando se pega as teses opostas e as reformula, desmontando destas quaisquer partes argumentativas ou premissas, deixando estar ou colocando outras, com a finalidade de mostrar a insuficiência do argumento adversário.

Olha, agora eu vou terminar esse texto porque ele tá pra sair desde o meio do mês passado e se eu enrolar mais perderei a vontade de faze-lo.

   Agora que já está explicada a natureza do debate, pode-se presumir três elementos básicos para não se ferrar num debate. Primeiro de tudo: seja confiante. Não adianta muito se mostrar completamente plausível no discurso mas se portar como se estivesse duvidando de si. Se nem o dono do discurso bota fé no que fala, quem mais iria faze-lo?! Segundo de tudo: pareça estar certo. Também não adianta estar confiante e falar coisas absurdas crente que está indo bem. É preciso estar - ou pelo menos parecer estar - coerente ao argumentar, e a verdade pouco importa se a mentira puder funcionar de forma saudável num plano filosófico (isso pode parecer maléfico, mas é só porque pessoas maléficas costumam parecer certas para convencer os outros da certeza moral de seus atos maléficos). E terceiro de tudo: sorte. Afinal, o adversário pode ser melhor que você. E é sempre bom ter sorte.

FALOU! O/

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