domingo, 23 de abril de 2017

Capítulos




   Hoje terminei meu sketchbook atual e isso merece um texto.
   Esse sketchbook eu peguei em algum momento em setembro. Foram ai sete meses, mais ou menos, interagindo com esse caderno quase todos os dias. Sete meses muito importantes pra mim. Num período muito importante também, já que setembro e abril sempre serão meses importantes pra minha vida inteira.
   ESSE SKETCHBOOK ME ACOMPANHOU POR TODO TIPO DE BOSTA!!
  
   Mas agora ele acabou.
   É importante entender os capítulos pelos quais passamos na nossa vida, quando o clímax chega, quando trocamos de livro. Como toda história, nem sempre nós, tão no centro das nossas, conseguimos compreender quando o capítulo passou, quando o livro trocou, ou quando a história já é outra.
   Tudo que sei agora eu coloquei nesse sketchbook, tudo que realmente conheço de desenho, de criatividade, de lidar com o que vivo. Tudo tá lá. Mas algumas histórias minhas acabaram antes dele acabar, então por mais que eu queira viver outra coisa e por mais que eu seja outro personagem nessa nova história, eu sou sempre bombardeado por aqueles personagens que eu costumava ter e ser. E meu sketchbook, instrumento mais valioso pra coisa que eu mais me dedico hoje -- em escala diária, atualmente --, se tornou uma chaga que sempre me lembrava quem eu era, com quem e aonde eu estava. Me fazendo ser, na minha história atual, algo que nem nessa história deveria estar. O que me fez correr com muito foco e paciência para terminá-lo do jeito justo.
   Justo pra mim, obviamente.   Acho que a lição que eu tomei pra mim disso -- e a que quero falar agora sobre -- é ter a liberdade de não ter mágoas do passado, de entender os acertos e erros e o que foi, pois não dá pra mudar mais. E que talvez não seja certo esquecer tudo isso pra lidar com a história que se vive hoje. Aceitar que as coisas e as pessoas já se foram é algo crucial para aproveitar o que se tem e com quem se está, e os encontros devem ser celebrados, para que não se tenha rancor das coisas quando elas acabarem. E elas vão acabar.
   E no final das contas isso é que é felcida--
   kkk brinks.
   Isso não traz felicidade, mas pode dar paz. O que é, no mínimo, tão bom quanto.

FALOU!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Ainda não me acostumei




Não é como se as coisas tivessem mudado. O mundo ainda gira, as pessoas ainda levam suas vidas. Exatamente como costumava ser. Minha rotina não mudou. Eu ainda tenho coisas pra fazer, uma vida pra viver. Um monte de filme pra ver. Mas ainda assim tudo parece fora do lugar. Falta. Passa. Ainda assim.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Review e Análise de Black Mirror s01e01

Essa moto é muito Black Mirror.



Então, eu fiz o maior esforço pra escrever isso para uma matéria da faculdade ai eu gostei e pô resolvi colocar aqui pq né. Esse texto que se segue aqui está dividido em 1 - Sinopse do episódio s01e01 de Black Mirror 2 - uma análise da tecnologia e comunicação relatada no episódio 3 - propósitos artísticos de um personagem e 4 - propósitos psicológicos de um personagem. Outra coisa importante: eu não revisei o texto nem pra mandar pra professora da matéria então prfvr não exijam tratamento especial ok?? Beijos <3 br="">



Black Mirror é uma série britânica de televisão criada por Charlie Brooker que, através de uma sequência antológica, ou seja, não sequencial, extrapola as possíveis futuras consequências que o uso atual da tecnologia trará para a sociedade.¹

Sinopse do Episódio
O primeiro episódio da série relata a uma situação fictícia onde, no meio da madrugada, o Primeiro Ministro da Inglaterra é convocado por questões de segurança da princesa mais popular da Coroa. Em seu gabinete, o Primeiro Ministro descobre, através de um vídeo protagonizado pela princesa, que ela foi sequestrada por um anônimo. Ele promete o retorno da princesa sob uma condição: a de que o primeiro ministro faça sexo com um porco ao vivo, em todas as emissoras britânicas, ao final da tarde. Como estratégia de contenção da informação, o Primeiro Ministro ordena o máximo de sigilo, e descobre que a fonte do vídeo é o Youtube, e que cerca de cinquenta mil pessoas foram expostas à informação antes mesmo do amanhecer.
Em seguida observamos algumas reações civis, desacreditadas, e do editorial de uma emissora de televisão discutindo se devem desobedecer o pedido estatal de não cobrir a notícia, onde uma jornalista expõe a demanda das pessoas na internet por uma confirmação das informações que estão circulando na web. E então, ao perceberem que uma série de emissoras (não necessariamente britânicas) já começaram suas respectivas coberturas sobre o ocorrido, começam a se esquematizar para cobrir o sequestro da princesa. Deste ponto partimos para os assessores do Primeiro Ministro percebendo que não possuem mais nenhum tipo de vantagem ou recurso midiático, e decidem tomar medidas para proteger tanto os interesses da princesa, da população e do Primeiro Ministro, arquitetando um plano de, através do CGI, transmitir um ator pornô transando com o porco e se passando pelo Primeiro Ministro. Até este momento do episódio temos a opinião pública a favor do Primeiro Ministro não acatar as demandas do sequestrador.
O ator pornô coletado pelo Estado é reconhecido e fotografado por alguém que publica a foto no Twitter. E essa informação é recebida pelo sequestrador, que manda para a emissora de televisão que acompanhamos através da narrativa, não só o dedo decepado da princesa como o vídeo do momento em que o sequestrador o corta. Agora que o governo foi pego tentando contornar as demandas, ou seja, que o Primeiro Ministro (que não sabia do plano do ator pornô) colocou a vida da princesa em risco, a população demanda que ele acate as exigências do sequestrador para que a princesa retorne salva.
Ao mesmo tempo que o plano do ator pornô estava sendo realizado, uma equipe tática estava em uma certa localização, identificada pela inteligência britânica como o local onde o sequestrador fez o upload do vídeo. Localização que foi assumida como o local de operações. A repórter da emissora de televisão que acompanhamos no episódio consegue, através de imagens privilegiadas (o famigerado nudes), o endereço deste local, e o invade um pouco antes do Primeiro Ministro ordenar que a equipe tática invada o local. Após eles descobrirem que o local é inútil, a repórter é descoberta e eventualmente alvejada, mas não assassinada.
Agora, sem nenhuma opção ou plano B, a assessoria do Primeiro Ministro não vê alternativa além de acatar literalmente as exigências do sequestrador. E tanto o Primeiro Ministro, quanto a Inglaterra e o mundo se preparam para um dos acontecimentos mais relevantes da história britânica. Um anúncio de que ter posse de qualquer imagem do Primeiro Ministro transando com o porco é configuração de crime, o que não impede as pessoas de gravarem , como o episódio nos mostra. O Primeiro Ministro é instruído por sua assessora a agir de maneira apropriada para mostrar sofrimento e cumprir as exigências do sequestrador, e recebe viagra e estímulos audiovisuais para performar o ato até ejacular. Então ele se depara com o porco, que está comendo sem parar, faz uma pequena fala, ressaltando esperança e piedade, antes de começar a penetrar o animal.
Enquanto percebemos as pessoas agregadas em torno da televisão assistindo esse “momento histórico”, vemos a princesa numa ponte, andando desnorteada na rua. Ao voltar para as pessoas que estão assistindo à cena explícita, percebemos uma mudança drástica na postura de todos os telespectadores. Agora, ao contrário do que exposto antes da transmissão começar, eles estão com feições fechadas, tristes, pesadas e sofridas. A princesa, desacordada na ponte, é socorrida por um policial enquanto o Primeiro Ministro se encontra debruçado na privada, vomitando após ejacular dentro do porco -- cena esta que não é mostrada, mas nas exigências do sequestrador estavam inclusas que o Primeiro Ministro só poderia terminar o ato sexual com o porco após ejacular. A assessora é informada que a princesa fora encontrada e que, para a surpresa dela, câmeras de segurança captaram imagens da princesa perambulando na rua trinta minutos antes da transmissão do Primeiro Ministro com o porco começar. Ela pede para que esta parte seja apagada do relatório, antes de relatar ao Primeiro Ministro que a princesa foi encontrada e está segura. O primeiro ministro então recebe um telefonema de sua esposa, o qual ele decide ignorar, assim como todos os telefonemas dela desde o momento que ficou claro de que ele teria de fazer sexo com o porco ao vivo na televisão.
Somos transportados para o aniversário de um ano do sequestro da princesa, onde vemos uma aparição do Primeiro Ministro e sua esposa, relaxados e confortáveis, assim como imagens da princesa em sua primeira aparição após a gravidez. Somos informados que o sequestrador era um artista premiado, cujo seu trabalho -- o sequestro e coerção -- foram identificados por um crítico de arte como a maior obra do século XXI, exibida para 1,3 milhões de espectadores. Aparentemente, o acontecimento não abalou a vida do Primeiro Ministro, que se mostra leve e popular na opinião pública, mas essa sensação logo passa ao vermos o Primeiro Ministro e sua esposa entrarem em casa, momento em que o marido implora pela atenção de sua esposa, que o nega prontamente, sem nenhuma palavra ou olhar expressivo.

Manipulação e Imersão na Convergência das Mídias
    Um dos pontos que me saltaram os olhos foi como o núcleo político, ou governamental do episódio foi cada vez mais coagido a agir de acordo com a pressão social imposta. Num primeiro momento, ele foi rapidamente forçados a reconhecer que aquela situação de refém era não somente real, mas também globalmente pública. Em seguida, numa tentativa de enganar o sequestrador, foi brutalmente exposto para a mídia e rechaçado pela opinião pública, surgindo daqui tanto a ordem de invadir o suposto local do sequestrador quanto a confirmação de que não teria jeito a não ser acatar as ordens dele. Outra coisa que a pressão social influenciou, na mesma medida que no núcleo governamental, foram as mídias -- tendo aqui, como exemplo mais expressivo, a NHK, emissora que acompanhamos ao longo do episódio. Não era intenção de nenhuma emissora ou editorial desacatar a autoridade estatal, mas a pressão social foi tanta que eles não tiveram escolha -- e por “não tiveram escolha” quero dizer que eles não podiam deixar os cliques irem para as empresas concorrentes.
Toda essa dinâmica de pressão da população foi expressada através das redes sociais, por permear majoritariamente um campo virtual, essa população não era -- ou não precisava ser -- britânica ou localizada na Inglaterra. A internet e as redes sociais claramente agiram como um unificador de intenções similares fazendo com que a força das opiniões e desejos individuais tomassem proporções maiores que a soma de suas partes -- o que por si é o próprio conceito de sociedade ou de social.
Outro aspecto bastante interessante no que tange as dinâmicas midiáticas é o movimento que chamo de confluência das mídias. Veja bem, todo o rumor, quanto o vídeo que provavam que a princesa fora sequestrada estavam circulando por um bom tempo na internet antes de serem oficializados pelas emissoras de televisão. O que podemos analisar neste relato é que, mesmo a prova do sequestro da princesa estando na internet, de nada ela serviu como validação do fato até a televisão dizer que, de fato, a princesa havia sido sequestrada e que, de fato, o vídeo era prova empírica disso. À esse tipo de dinâmica que dou o nome de confluência das mídias, no sentido de que para que haja penetração e influência nas massas, uma mídia sozinha não consegue mais fazer o papel por si só, sendo necessária uma interseção de mídias para confirmar ou validar uma dada informação. É preciso uma segunda tela.
Por fim, atrelada à confluência das mídias, aponto e proponho aprofundar o debate acerca de um momento, dos últimos minutos do episódio, antes do Primeiro Ministro e sua esposa adentrarem a casa, em que o repórter, que serve de narrador dos fatos que se tomam um ano após o sequestro da princesa, diz que todos vivemos aquela experiência -- no caso, a do sequestro. Esse é um ponto importante da confluência das mídias, onde a imersão nas telas proporciona uma experiência pessoal para quem se envolve nas informações, discussões e engajamentos sociais que se tomam em situação de alarde. Para ilustrar esse ponto, localizá-lo temporalmente e geograficamente, tenho, além da própria progressão lógica do episódio ( que em tese, se passa em local e época definida: Londres do século XXI), a tragédia envolvendo o time da Chapecoense em novembro-dezembro de 2016. Observo neste momento histórico uma verdadeira dinâmica de confluência das mídias, onde temos a imprensa como relatora da vida e impacto do time e do acidente nos mais diversos cenários -- do mais particular ao mais global -- e a televisão, que faz o meio termo entre o que a imprensa faz, ou seja, relatar o que acontece, e a internet, que engaja discussões e ações, virtuais ou reais, em níveis comunitários e sociais. A televisão neste caso opera como terceiro partido na confluência das mídias, interelacionando informação e comunicação.

Do Espetáculo: drama, comédia e tragédia
Um ponto dúbio do episódio é o que concerne as motivações do sequestrador. Afinal, qual era o propósito por trás do sequestro? Por trás da humilhação sofrida pelo Primeiro Ministro? Acredito que a resposta fique entre um possível statement acerca dos meios de comunicação e aparelhos midiáticos e o simples deboche artístico levado às últimas consequências. Isso claramente não poderemos saber por ele, já que o personagem se matou no meio da transmissão do Primeiro Ministro com o porco. Porém, podemos fazer um exercício de reflexão acerca de alguns pontos: o drama, a comédia e a tragédia do espetáculo.
O drama é o primeiro “gênero” que o sequestro toma para si. Afinal, temos literalmente uma princesa em perigo e um cavaleiro mais do que nobre que foi imputado de salvá-la das garras do malfeitor. Este momento acredito que tenha sido projetado para engajar a sociedade a acompanhar o espetáculo. Afinal, esta é uma história notoriamente emocionante que com certeza iria satisfazer os mais diversos ânimos.
A coisa, entretanto, começa a tomar proporções mais bizarras quando não só o núcleo governamental, quanto a sociedade toma consciência de que o Primeiro Ministro não tem para onde fugir. Ele vai ter que transar com o porco. E imagem de uma figura tão nobre, correta e limpa quanto o líder do executivo da Inglaterra penetrando um porco é,  não só em gostos pessoais mas em teoria do humor, uma situação cômica. Aqui vemos que o  interesse das massas de participar -- como participaria um voyeur -- do ato obsceno do Primeiro Ministro é motivado pelo teor humorístico por trás da situação. Interesse este que muda drasticamente a partir do momento que o espetáculo começa.
Na medida que o Primeiro Ministro penetra no porco -- e ele faz isso por mais ou menos uma hora -- as pessoas, por mais que vidradas no que a tela mostra, começam a sentir as piores sensações possíveis. Vemos no episódio uma série de posicionamentos tomados pelos personagens que claramente sugerem alguma empatia pelo sofrimento mostrado pelo Primeiro Ministro, fazendo com que os telespectadores passem a perceber o quão bizarra é aquela situação, talvez até mesmo fazendo-os perceber o quão igualmente bizzaro é o fato de que, apenas minutos antes desta tomada de consciência, eles estavam todos juntos encarando a transmissão como algo festivo a ponto de ter que ser compartilhado pessoalmente em comunidade. A tragédia se estende ainda mais para nós em dois momentos. No primeiro, ela aparece intercalada com a comédia, quando passamos a conhecer o quão inútil foi o ato heróico do Primeiro Ministro. O segundo, mais drástico e triste, quando conhecemos a vida particular do Primeiro Ministro um ano após o sequestro, em que vemos um matrimônio completamente devastado.

Do Suicídio
O ponto mais enigmático de toda essa trama é o suicídio do sequestrador. Novamente podemos supor coisas como “ele não queria sofrer as consequências de seus atos” ou “ele simplesmente não via motivos para continuar vivendo”, mas essas resoluções não parecem partir de uma análise compreensiva dos fatos disponíveis. Outra coisa que não se pode atestar solidamente é a tese de que o suicídio era premeditado, pois novamente não parte de uma análise compreensiva.
Partindo dos fatos de que o sequestrador não atentou à vida de ninguém a não ser ele mesmo -- e afirmo isso com veemência, já que o máximo que ele fez para com a integridade física de outra pessoa foi nocaute por químicos -- podemos seguramente endossar a tese de que ele não possuía motivações violentas. Visto que ele mesmo invalidou as próprias condições de liberdade da princesa sequestrada, podemos também atestar seguramente que ele queria, de alguma forma, provar um argumento. Ainda que este argumento seja uma incógnita.
Acredito ser uma análise plausível a de que ele, como artista, previu uma situação social com a qual ele não poderia conviver nem confrontar, e diante dessa incerteza, elaborou uma série de experimentos que pudessem comprovar sua futurologia. Uma vez confirmada, ele teve total consciência de que, em seus termos, o suicídio era necessário para que sua vida possuísse significado não para os outros, mas para ele próprio.
Referências
Wortham, Jenna (30 de janeiro de 2015). "'Black Mirror' and the Horrors and Delights of Technology". New York Times. Acessado em 9 de dezembro de 2016.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Maior que um pio.




Se por acaso uma cobra morder-me o braço
Explodo-lhe a cabeça e dela faço um laço
O corto e queimo, suporto toda a dor
Mas nada nessa vida vai me fazer morrer de amor.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Obrigado



Sabe, eu só tenho gratidão por tudo que você é pra mim, por tudo que me ensinou e por tudo que você suportou por mim. Não existe palavra pro sentimento que compartilhamos até agora, momentos após nosso último (mas não "o" último) tchau.

Ter você e estar com você me fez melhor do que eu sou sozinho. Me fez ver minhas limitações e talentos. Você despertou coisas que eu tinha adormecido em mim de uma forma muito linda e só Deus sabe o quanto eu sou grato por ter você na minha história. Inclusive, por termos sido o melhor shipp criado na história da humanidade. Ter você fez as coisas boas ficarem muito melhores e as coisas ruins mais suportáveis. E novamente, obrigado por isso.

Então, te soltei no mundo. Quero você boa, fazendo o que gosta com quem gosta, não aceitando o que é injusto com você e com os outros. Essa é uma das suas melhores qualidades. Quero que não desista de forma alguma de nada, nem de você, nem de mim, nem da gente e nem das pessoas e sonhos que você tem e carrega com você. Eu realmente amo você e novamente, obrigado.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Depois Que Elas Vão




Antes de tudo, duas considerações:
1- Eu escrevi outro texto outro dia e quase publiquei. Ele tá engavetado porque eu sei que a necessidade dele ser publicado vai aparecer muitas vezes ainda. A necessidade desse aqui talvez só ano que vem.
2- Eu não estou estável.

Pessoas marcam a nossa vida de todas as formas, às vezes forte e profundo demais. E bom, isso deve acontecer. E é bom que aconteça, pois estabelece as suas cores. Todos os quentes e frios e cinzas e totais. Mas acontece de as pessoas que marcam nossa vida profundamente irem embora. Às vezes por tempo demais, às vezes elas nem vão tão longe assim. E esse texto é sobre depois que elas vão.

Depois que elas vão, elas levam parte de você junto. Elas arrancam parte de você junto, te deixam sangrando agonizando de dor no chão e o máximo que você pode fazer é chorar que ela volte com o que ela levou. E que, se não for pedir demais, que fique mais um pouco.
Been there done that

E no desespero de ter você completo de volta, você se agarra à tudo que ela deixou, seja um caderno, um email sobre como você se parece com o Gregory House, músicas e datas. E não se engane, se foi recíproco você também arrancou algo de quem foi, e querendo ou não também foi embora. A dor é de ambos. E dói forte.
Been there done that

Esses apegos são excesso de passado no hoje. Aniversários de morte. Fetiches que te congelam na vida e que te impedem de abrir mão de coisas que você deve abrir. Pois as pessoas marcam nossas vidas de todas as formas, às vezes forte e profundo demais. E é bom que isso aconteça, de todas as cores possíveis. Mas não abrir mão delas quando elas já foram corrói. Destrói. E essa vida do jeito que é a gente só tem uma vez, ninguém no mundo merece isso. Especialmente você. A vida tem q ter de todas as cores e às vezes ela congela. Ela deve congelar às vezes. Mas ela tem que voltar a ser quente também, pois viver é estar quente.
O que faz a dor ser tão angustiante é a ilusão dela ser pra sempre. E, presos nesses genjutsu aí  a gente perde de vista a certeza de que o sufoco passa. E tudo melhora. E piora também. Mas sabe, melhora de novo. Então... não tô pedindo pra você arrancar da mão tudo que você tem de quem te marcou, só que saiba que do mesmo jeito que as pessoas que marcam profundamente nossa vida às vezes vão embora, as coisas que elas deixam devem ir embora também. São cadáveres que se ficam tempo demais aqui em cima começam a feder e trazer doença. Saiba a hora de enterrar o que tá morto. antes que o fedor e as doenças se espalhem.
Been there done that. E espero que você também chegue aqui.

sábado, 26 de setembro de 2015

A Kitnet




A kitnet não é um imóvel, mas sim um lar. É onde eu ou nós moramos?? Não, mas bem que podia ser. É onde eu a conheci. É onde eu me apaixonei. É onde ela se encantou e eu -- de alguma forma (??) -- a conquistei. É onde eu compartilho meu dia, procuro encurtar distâncias e abasteço meu coração de alegria. Onde mesmo sendo imperfeito e repleto de derrota e vacilo, sou aceito. É onde "não vejo" filmes de terror e levo broncas, sou cuidado. É onde eu tento compreender e auxiliar, sempre que permitido. É onde busco paz e sorrisos toscos. Onde aprendi que por mais que tudo seja uma merda, nem sempre as coisas tem que ser ruins -- aprendi a ver que a vida pode ser melhor. É onde me esforço pra ser melhor, geralmente falhando miseravelmente antes de melhorar um pouco. A kitnet é uma escolha, uma promessa. É onde me apaixono todo dia. Onde moro com o futuro amor da minha vida.

domingo, 30 de agosto de 2015

Messed up



I run nightmare scenarios all the time
It is like i can't give my mind some proper time to rest
would probably be the best
is not like i'm sitting complaining didn't even trying
my plan is work and study until i die to get the cash
you're not like any gash

but sometimes i lost my shit while understanding that you got your things
and sometimes i seem so weird and sure you got your point cuz is me losing grip
and sometimes i feel so sad that i start writing songs in order to exorcise it
and sometimes i feel so mad and insecure that all i wanna do is cry

sábado, 29 de agosto de 2015

O que eu aprendi com The Smiths



The Smiths é uma banda importante. Afinal, é o cobertor em que deprimidos e depressivos se cobrem, encolhem e usam para se proteger de viver. The Smiths é aquele abraço que te reconforta mas não faz a sua tristeza embora, é aquele homem charmoso que você quer para você. É o grito que você queria dar, não deu e reproduz no seu player favorito ao voltar pra casa depois de um dia exaustivo, terrível, em que você não fez o que queria fazer porque viver para você é complexo, difícil demais e frustrante demais só olhar outras pessoas não tendo problemas com isso. E só você tem problemas com isso. Pelo menos é só isso que você vê.

The Smiths é alguém que há mais de 20 anos atrás te compreendeu e te violou ao expôr a sua vida antes mesmo de você ter nascido. É aquele inglês que aprendeu com seu conterrâneo e herói como transformar tragédia em arte e o cotidiano em espetáculo.

E o que eu aprendi com isso tudo?? Aprendi que escutar The Smiths em momentos de fragilidade é tomar aquele gole que você sabe que vai te fazer mal, é abraçar a escuridão, olhar pro abismo esperando que ele olhe de volta.

Referências óbvias e um tanto quanto exaustivas porque claramente o texto perdeu a vibe que tinha ali em cima.

É reconhecer o quão mal você está e que dá pra melhorar, mas por agora, você prefere estar na pior. Só por hoje. É reconhecer que a piada dói e que por mais que você queira rir dela, ainda não consegue.

É fodido.

E se você leu até aqui, desculpa.

sábado, 18 de julho de 2015

O quão tarde é agora??



You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way?
I am human and I need to be loved
Just like everybody else does
 
Você está perdido na vida há algum tempo, pelo o que me parece. Isso está correto?? Faz sentido, certo?? Percebo que você tem se preocupado muito com ser aceito pelas pessoas e até mesmo aceitar pessoas na sua vida. Ainda, que tens te questionado muita psicanálise, como se soubesse do que isso se trata. Você é arrogante, acredita saber como funciona o olhar do diretor nesse filme doido chamado vida. Vida social. Desdenha disso. "Eu não preciso disso", você falou, fala e certamente falará de novo, quando negar precisar de algo novamente.

Mas aqui a gente fala de amor. A gente fala de romance. E principalmente, do quão fracassado você é nisso.

Você teve uma vida muito ao avesso. Muito esperto para o mundo ao seu redor, desbravou de forma alternativa o que tinham a lhe oferecer. Sua vida era muito Californication e Cine Privê quando era pra ser Flipped. Sua vida era muito Californication e Cine Privê quando era pra ser Nick and Norah's Infinite Playlist. Não por não ter-lhe faltado opções, percebi ao longo dos seus relatos que você teve muitas opções. Mas você é diferente, certo?? Mas você não queria ser, está correto afirmar isso?? Ou pelo menos gostaria de fingir com mais desenvoltura que está aproveitando todo o roleplay da vida social ocidental. É mentira??

There's a club, if you'd like to go
You could meet somebody who really loves you
So you go, and you stand on your own
And you leave on your own
And you go home, and you cry
And you want to die

E a pergunta que fica: pra quem passou 20 anos vivendo como Hank Moody ainda existe um amor de 14 anos?? Dizem que só existe um na vida. Como você não teve, de fato, nenhum, talvez haja uma chance. Pelo menos é o que eu espero pra você.

When you say it's gonna happen "now"
Well, when exactly do you mean?
See, I've already waited too long
And all my hope is gone


Todos os trechos em inglês são da música How Soon is Now? da banda The Smiths.