sábado, 20 de abril de 2013

Mais Como É Triste!



Não fazemos arte pura. Não nos cabe tal beleza. Porém, não deixamos de fazer arte. A capacidade sistematizada de percepção misturada com interpretação da realidade nos proporciona visão por demais bela. Sim, bela. Uái! Mas quem dera só isso fosse preciso para o retrato do que queremos mostrar. Infelizmente a parte mais difícil do ofício é a que o qualifica como arte, e nos qualifica como artistas ao fazê-lo. A revolução do pensamento convencional nos é necessária e crucial para a invenção. Sem esta, toda a beleza proporcionada pela compreensão se esvai. Rápido. É preciso que o artista se tome de um estado de ruptura bruta do que se tomou como consenso anteriormente a fim de causar admiração e revolta nessa nossa comunidade.
Nós não fazemos arte pura. Por mais que nossa história ressalte essa pretensão, não somos tautológicos. Não somos terapêuticos também. A paradigmática nos tirou esse adjetivo há muito tempo. Mas somos "paralaxados" de um modo que conseguimos performar toda uma progressão existencial sem de fato nos transformar em alguém que não somos. E isso reflete em nosso artesanato.
Complexo, certo? Na verdade mostrei nossa situação de maneira simples, pois a mente não me permite mostrar mais. Mesmo não parando de refletir sobre.
E então Ednardo ecoa na minha cabeça.