sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um conto.



  Eu lembro da primeira vez que ele apareceu. Lembro de estar ouvindo as palavras dos famosos escritos do livro-biblioteca quando me distraí e a vi criando seu próximo personagem quando na verdade deveria estar fazendo um relatório. E lá ele apareceu, admirando aquela imaturidade como se fosse a coisa mais bonita do dia. Como se fosse a coisa mais certa a se fazer quando se tem outras coisas na cabeça.
  Bicho, daí ele só piorou. Com o tempo ele passou a vê-la com mais frequência. - Bom, se ela estará lá toda semana, eu tenho que ir para lá também. - Disse ele em uma conversa. E foi assim para todo sempre (até os dias atuais).
  Com o tempo ele encontrou outras por aí. Umas meio (ou muito) mórbidas, porém não totalmente, por motivos morais que ao que me parece não se pretendem mudar. Apareceram também outras cheias de vida, e cheias até demais de vida. Umas que eram mórbidas mas ganharam vida, e outras que não se sabe o atual status vital. E as outras eventualmente foram embora, tanto faz se para nunca mais voltar ou só para comprar pão. Mas aquela, aquela irresponsável, ela não ia embora. Ela não ia de jeito nenhum! Ia comprar pão vez ou outra, mas sempre voltava. E voltava com pão fresquinho, do jeito que ele gostava.
  Ele ia embora quando, por algum motivo (que por algum motivo eram sempre dois motivos que quando não separados eram condicionais um do outro), ele ficava puto com ela. Ela não tinha muita esperança nele naquela época - penso eu porque ele era muito dicotômico dela, como se causasse algum distúrbio no equilíbrio de seu jeito de ver as coisas - então, por mais que ele tivesse bom coração, não rolava. Simples assim. Ele sempre voltava, e ela sempre estara lá.
  Mas acredito que toda vez que ele fica puto e vai embora, ele vê o quão inapropriado foi sair. Já o vi apanhar muito por aí. Existem cobras apaixonantemente traiçoeiras no mundo, e coisas que só podem ser curadas com um copo de álcool. E essas coisas mostram-lhe que ela não é aquela santa, que sempre traz o pão quentinho da padaria. Ela também chorava porque o dia foi uma bosta, e saía com as amigas para dançar. Ela beijava os caras também e, perdoe minha observação, ela parecia saber muito bem o que fazer - mas também, a menina que senta no colo do rapaz para com a finalidade de dar uns amassos sabe o que está fazendo -. Foi aí que ele percebeu que aquela irresponsabilidade não era porque ele tinha uma outra visão de mundo que diferia dela. Não era porque a banda tocava diferente lá no Olimpo de onde ela veio. Ela era irresponsável porque era tão humana quanto ele. Lembro que ele usou a seguinte expressão: Porra! Ela é como eu!
  E desde o que eu gosto de chamar de Dia da Revelação, do qual não me lembro a data mas foi memorável, ele começou a cair. E ele cai até hoje, num abismo sem fim agarrando qualquer coisa que possa prover abrigo até que um dia, de uma maneira totalmente concedida pelos anjos, ou anjo, ele consiga segurar a mão dela. E que ela consiga ter força suficiente para aguentá-lo por toda a salvação. Falo desse jeito porque tenho quase certeza de que se ela soltar-lhe a mão, ele cai de novo. E talvez caia tão fundo que ela não tenha braço suficiente para alcançá-lo. Talvez tão fundo que ninguém tenha braço suficiente para alcançá-lo.

Comenta esse. Sério mesmo.
FALOU!o/

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